Eu já disse isso antes, mas vou reforçar: é incrível como, a cada leitura, o livro é "recebido" de forma diferente por quem o lê. Digo isso por mim, é claro; no entanto, eu creio que várias pessoas também pensem da mesma forma.
Isso porque quando eu li Comer Rezar Amar da primeira vez, a parte que mais me marcou do livro foi a passagem da autora pela Índia. Desta segunda vez, a minha parte preferida está sendo a da Itália.
Quando eu li o livro pela primeira vez, marquei várias passagens da viagem pela Índia, enquanto que desta vez eu marquei muito mais a viagem pela Itália.
Muitas das coisas que li agora nesta parte da Índia de certa forma eu já aprendi, de uma maneira ou de outra. Talvez por isso não me tenha chamado taaanto a atenção.
É engraçado como adequamos a leitura às nossas necessidades, consciente ou inconscientemente. A cada leitura percebemos o livro de maneiras diferentes.
De qualquer forma, apesar de eu não ter marcado tanto o livro desta vez, a Índia não deixa de ter seu mérito. Essa é uma parte belíssima do livro, na qual a autora vai em busca da própria consciência. Pode-se dizer que ela se enfrenta (e com muita intensidade) nesta parte do livro.
Eis alguns trechos que marquei:
"Os iogues, no entanto, dizem que o descontentamento humano é um simples caso de identidade equivocada. Nós somos infelizes porque achamos que somos meros indivíduos, sozinhos com nossos medos e falhas, com nosso ressentimento e nossa mortalidade. Acreditamos equivocadamente que nossos pequenos e limitados egos constituem toda a nossa natureza. Não conseguimos reconhecer nossa natureza divina mais profunda. Não percebemos que, em algum lugar dentro de nós, existe um Eu supremo que está eternamente em paz. Esse Eu supremo é a nossa verdadeira identidade, universal e divina. Se você não perceber essa verdade, dizem os iogues, estará sempre desesperado, ideia expressa de forma inteligente na seguinte frase irritada do filósofo estoico grego Epíteto: 'Você leva Deus dentro de si, seu pobre desgraçado, e não sabe disso'".
"Eu estava tomada por uma tristeza quente, poderosa, e adoraria ter me entregado ao reconforto das lágrimas, mas tentei com força não fazê-lo, lembrando-me de algo que minha Guru dissera certa vez: que você nunca deveria dar a si mesmo a oportunidade de se entregar porque, quando o faz, isso se torna uma tendência, e nunca mais para de acontecer. Em vez disso, você precisa treinar ficar forte".
"Outro dia um monge me disse:
- O local de descanso da mente é o coração. A única coisa que a mente escuta o dia inteiro são sinos dobrando, barulho e discussão, e tudo que ela quer é tranquilidade. O único lugar em que a mente vai encontrar paz é dentro do silêncio do coração. É para lá que você tem que ir".
"As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora".
"Há tanta coisa no meu destino que não posso controlar, mas outras coisas estão, sim, sob a minha jurisdição. Existem determinados bilhetes de loteria que posso comprar, aumentando assim, minhas chances de encontrar satisfação. Posso decidir como gasto meu tempo, com quem interajo, com quem compartilho meu corpo, minha vida, meu dinheiro e minha energia. Posso decidir o que como, o que leio e o que estudo. Posso escolher como vou encarar as circunstâncias desafortunadas da minha vida - se as verei como maldições ou como oportunidades (e, quando não tiver forças para adotar o ponto de vista mais otimista, porque estou sentindo pena demais de mim mesma, posso decidir continuar tentando mudar minha atitude). Posso escolher minhas palavras e o tom de voz com que falo com os outros. E, acima de tudo, posso escolher meus pensamentos".
"Você precisa aprender a escolher os seus pensamentos do mesmo jeito que escolhe as roupas que vai usar a cada dia. Isso é uma capacidade que você pode aprimorar. Se você quiser tanto assim controlar as coisas da sua vida, trabalhe com a mente. Ela é a única coisa que você deveria estar tentando controlar. Largue todo o resto, menos isso. Porque, se você não conseguir dominar seu pensamento, vai ter muitos problemas para sempre".
