"Três amigos alugaram três barcos para navegar por um rio. De repente, viram que as águas corriam cada vez mais depressa em direção a uma imensa cachoeira. O primeiro se levantou enfurecido e começou a praguejar contra quem tinha alugado os barcos por não ter avisado sobre o perigo. O segundo, vendo a inevitabilidade do desastre, deprimiu-se e começou a se queixar da vida, do seu azar, da sua incapacidade e fraqueza para mudar uma situação. O terceiro tomou uma iniciativa e remou o mais rápido que conseguiu para a margem. Foi o único que se salvou".
Retirado da revista Vida Simples de agosto/2012.
Diariamente escuto infinitas reclamações no meu trabalho. Até eu entrei nessa de reclamar. Acho que isso é contagioso, como se para estarmos incluídos em um meio social temos que agir da mesma forma que os outros agem.
Nesta semana estamos tendo correição na vara em que trabalho e hoje eu realmente fiquei estressada. Eu não tenho o costume de reclamar muito das coisas, mas percebi que estava demais quando chamaram a minha atenção para isso.
Isso me pôs a pensar o dia inteiro. Eu sempre falo que não gosto de reclamações, que isso é chato e tal, e como eu estou agindo desta forma? Isso não é incoerente? Cadê a história do equilíbrio?
Sempre vemos as pessoas reclamando, mas poucas são as que tem alguma sugestão de mudança. Ainda que as sugestões não sejam boas, é importante pensarmos nelas, pois o maior erro das pessoas é permanecer de braços cruzados.
Além disso, as pessoas estão constantemente insatisfeitas umas com as outras pessoas. Sempre exigimos demais dos outros, sem saber qual a real situação de cada um. Criamos expectativas, nos iludimos, depois nos frustramos e colocamos a culpa no outro.
O fato é que não queremos tomar a responsabilidade por nossas atitudes e por isso culpamos os demais. Flexibilidade é uma característica fundamental em qualquer relação, até (e principalmente) na que temos conosco.
As coisas nem sempre saem da forma como queremos, e por isso devemos deixar o orgulho de lado e tentar controlar menos a vida. O que nos faz progredir é a forma como lidamos com as situações. Sempre temos, no mínimo, duas escolhas: não fazer nada e ficar reclamando, ou então decidir mudar a situação e fazer alguma coisa a respeito. O que não dá é simplesmente ficar de mimimi, incomodando a todos que se encontram ao nosso redor, sem um mínimo de atitude.
Sei que não é nada fácil mudar quando algo já se tornou um padrão de comportamento, mas o simples fato de ter a consciência de que estamos agindo de uma forma inadequada já é um progresso notável. A partir dessa percepção é que devemos nos esforçar para mudar. Ninguém muda do dia para a noite, mas se nunca começarmos, ainda que seja algo imperceptível para os outros, nunca conseguiremos melhorar.
