segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Certezas e suas incertezas


Eu sempre fui uma pessoa muito indecisa quanto ao que desejo. Nunca soube dizer com clareza o que realmente quero para minha vida. Acho que a única coisa que eu afirmo realmente querer é cursar Psicologia. Desde os dez anos de idade, aproximadamente, que tenho essa vontade e nunca desisti dela. Já desisti de muitas outras.

Não que eu tenha desistido completamente de tudo e esteja sem nenhum objetivo na vida, mas são vontades que dão e passam. E depois voltam de novo. E entram em conflito com outras vontades. Então eu não sei mais o que fazer, fico desorientada, ansiosa, estressada e travo.

Simples assim: travo. Não consigo pensar, não consigo agir, não consigo fazer nada. Sempre foi assim.

E sabe qual é o melhor de tudo? É perceber que sempre podemos mudar, que podemos melhorar. Desde cedo me ensinaram isso, mas parecia ser algo intangível, sabe? Quando a gente percebe a mudança ocorrendo, é outra coisa.

Pela primeira vez na minha vida eu me sinto incapaz de reclamar de alguma coisa. Todas as coisas estão se encaixando, e eu sei que, se eu manter o foco, é apenas uma questão de tempo até meus grandes problemas se resolverem.

Eu também sei que problemas sempre surgem, mas hoje eu consigo ter esperança de que conseguirei resolvê-los de forma mais adequada do que no passado. Já me atrapalhei muito, já meti os pés pelas mãos diversas vezes. Os livros e as revistas desse post são um exemplo claro disso.

Minha vida poderia ter sido diferente em vários aspectos. Eu poderia ter feito escolhas diferentes, mas não me arrependo de nenhuma das que fiz. Todas elas foram necessárias para o que eu sou hoje. Eu não acredito em destino (aquela força imutável e que te arrasta sem que nada possa ser feito), mas sinto que todas as minhas experiências foram necessárias para me tornar a pessoa que sou e que pretendo ser.

Por ser uma pessoa muito teimosa, quando eu tomava uma decisão, eu a tinha como uma certeza absoluta, imutável. Esse tipo de atitude tem bastante orgulho no meio e se a gente não conserta isso por bem, conserta por mal. Um belo dia eu tive que aprender que as coisas não são tão certas assim. A vida sempre dá um jeito de nos mostrar que não somos os donos da verdade.

Eu precisei chegar ao fundo do poço para começar a rever todos os meus conceitos e atitudes. Como dizia uma professora minha, no fundo do poço existe água cristalina. Tudo o que eu tinha como certo teve que ser revisto. E olha, isso não é uma coisa fácil, não. Você ver todos os seus planos ruindo à sua frente como um castelo de cartas é bem desanimador.

Hoje eu percebo que não há como se ter certeza sobre muitas coisas, pois mudamos constantemente. O que para mim está sendo uma certeza no momento, pode não ser amanhã. No entanto, o que faz a diferença é como lidamos com a adversidade.

Um dia desses várias coisas deram errado e me bateu aquela desilusão já conhecida de longa data. Me tranquei no banheiro e desatei a chorar até que me veio o pensamento: "Peraí, o que estou fazendo? Se eu quero melhorar a situação eu tenho que fazer alguma coisa a respeito, eu tenho que ter atitude!". E sabe o que eu fiz em seguida? Enxuguei as lágrimas, lavei o rosto e fui correr atrás da solução.

Não é querendo me gabar, mas eu fiquei muito satisfeita com esse meu comportamento, pois percebi que realmente estou mudando. Eu não estou mais me deixando abater tanto pelas coisas de errado que acontecem. Creio que estou me tornando mais flexível e aprendendo a lidar com as incertezas das minhas certezas.

Resumindo, é tudo uma questão de atitude. Tem pessoas que só reclamam do quanto as coisas dão errado para elas, mas será que elas fazem alguma coisa para mudar isso? Se a gente mantém um mesmo padrão de comportamento, será que não é hora de mudá-lo?

E então, vamos mudar de atitude?


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