Nunca tive problemas alérgicos na vida. Na verdade, nunca tive alguma doença física realmente séria, exceto pela depressão de 2011-2012. Sempre tive consciência de que deveria cuidar do meu corpo visando saúde de fato, e não apenas conquistar um corpinho bonito. Mas alimentação e exercícios não são o bastante. Precisamos também cuidar da mente e do espírito.
Sexta-feira (10/05) acordei e estava irreconhecível. Rosto completamente inchado e vermelho. Meu olho direito estava quase fechado. Meus lábios pareciam os da Angelina Jolie. Corri para o hospital, pela terceira vez na semana. Novamente injeções e remédios. Desinchei um pouco, voltei para casa. A médica disse que minha alergia era resistente. Estou percebendo.
Ao que parece, ela surgiu em virtude da dedetização do prédio onde trabalho. Comecei a sentir os sintomas na segunda, mas continuei trabalhando até a quarta e aí está o ponto de partida das minhas reflexões.
Sou servidora pública estável, mas possuo o acréscimo de uma função gratificada de secretária de juiz, o que me dá um aumento de aproximadamente 30% no meu salário. É essa função que paga meu carro de durex (sim, até hoje não o consertei, e ainda o bati novamente em outubro/2012) e é essa função quem me envelheceu.
Tenho 23 anos e me sinto com 35. Várias pessoas falam que eu me comporto como uma velha. Mas como poderia ser diferente se por dentro eu realmente envelheci?
Já não me lembro mais quando foi a última vez em que parei para fazer algo que eu realmente goste e com habitualidade. Não que eu não tenha me divertido nos últimos 3 anos, mas os momentos de diversão se tornaram bem escassos.
Nunca me ensinaram a lidar de verdade com dinheiro, então fiz muitos gastos completamente desnecessários, contraindo, assim, muitas dívidas. Até hoje não paguei metade do que devo aos outros e ainda há meu carro para consertar. Desta forma, manter-me na função de secretária é importantíssimo para mim.
Minha jornada de trabalho é de 8h diárias, mas eu nunca fico "só" isso. Não esqueço de certa sexta-feira em que saí do fórum às 22h, entrei no carro e desatei a chorar de tanto estresse. O trabalho nunca diminui e o chefe não entende que eu sou apenas uma para cuidar de várias atividades. Para me manter na função, passei a fazer muitas horas extras, saindo sempre tarde e indo trabalhar em feriados e finais de semana. Ano passado eu não tive feriado de Finados.
E aí de repente vem a doença e eu ainda quis brigar com ela, trabalhando mais dois dias depois de ela aparecer. No segundo dia o médico me deu um atestado e ainda assim eu fui trabalhar no dia seguinte. Então minha garganta começou a fechar e eu realmente precisei parar.
Foi aí que me perguntei até que ponto todo esse desgaste profissional está valendo a pena. Mas não era apenas o trabalho que estava me desgastando, a minha rotina como um todo era desgastante. Parei de praticar exercícios físicos e parei de ir aos médicos fazer minhas consultas de rotina. Ou eu estava no trabalho, ou eu estava em casa. Se eu estava em casa, ou estava ocupada com afazeres domésticos ou estava estudando. Minhas noites de sono duravam de 4 a 5 horas. 6 horas de sono na noite era luxo. Como não adoecer?
Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu adoeceria, mas eu esperava que fosse mais tarde. Eu esperava poder organizar minha situação financeira, passar em outro concurso, para finalmente cuidar de mim. Agora tudo está diferente, tenho medo. A cada dia aparece uma coisa nova em mim e toda vez que eu penso que estou melhorando, de repente começo a piorar. Hoje foi o estômago.
Nunca tive problemas com meu estômago e hoje ele gritou comigo. Que tormento, meu Deus! Não aguento mais hospital, injeções, remédios, pessoas me enchendo de perguntas como se eu já não tivesse o bastante para pensar!
Poxa, eu trabalhava, estudava. Eu dormia e acordava bem, saudável, com considerável disposição. Agora eu não durmo, mal consigo me alimentar sem passar mal em seguida, sinto dores, coceiras intermináveis, meu corpo está vermelho e inchado e eu não consigo fazer mais nada.
Agora à noite me deu uma tremedeira no braço direito que eu nem conseguia colocar a mão no trackpad do notebook sem ficar clicando indefinidamente no mesmo lugar.
Amanhã será a tão aguardada consulta à alergologista. Espero que ela consiga descobrir o que eu tenho e me dar uma luz, porque estou me sentindo perdida.
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